terça-feira, 2 de novembro de 2010

Multicampeão no papel e no íntimo, Tite trocaria dinheiro por estabilidade


Depois da demissão de Adilson Batista, o presidente do Corinthians, Andrés Sanches, afirmou que o próximo técnico não seria herói se conquistasse o Brasileirão nem vilão se o perdesse. Dias depois, a diretoria corintiana anunciou a contratação de Tite. Em sua apresentação, o técnico, que já havia passado pelo Timão, engoliu o discurso do mandatário. Mas o pensamento dele é diferente.

- Eu vou responder a vocês com uma pergunta que me fizeram: ‘se você for campeão brasileiro, o Mano Menezes e o Adilson Batista vão ter contribuição nisso tudo?’. E eu respondi: claro que sim. Da mesma forma que eu vou ter uma parcela de contribuição – falou o comandante da equipe alvinegra.

Ainda magoado por não ter tido sequência no Corinthians da era MSI (Tite foi demitido em fevereiro de 2005 para entrada do argentino Daniel Passarella), o treinador corintiano se considera campeão brasileiro daquele ano. Assim como se considera campeão com o São Caetano de Muricy e o Inter de Celso Roth.

- Idealizei o time que viria a ser campeão brasileiro mais tarde. Mas tem coisas que independem da sua vontade... O São Caetano campeão paulista de 2004 com o Muricy Ramalho também foi concebido por mim. No Inter campeão da Libertadores só o Tinga não foi meu jogador. Intimamente me sinto campeão nesses casos – falou o técnico, que oficialmente tem sete conquistas como treinador. São quatro campeonatos gaúchos (um da segunda divisão), uma Copa do Brasil, uma Copa Sul-Americana e uma Copa Suruga Bank.

Por outro lado, Tite acredita que atualmente o cargo de treinador no Brasil está supervalorizado. Seja para o bem ou para o mal.

- Gostaria de trocar a valorização financeira que o cargo me dá por uma estabilidade no trabalho – opinou o técnico do Timão.

Em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, no CT Joaquim Grava, na última segunda-feira, Tite falou também sobre as chances de título do Corinthians, sobre o retorno de Dentinho e a esperança de contar com Jorge Henrique. Confira:

O que te levou a trocar a disputa do Mundial e a estabilidade do trabalho no Al-Wahda pela turbulência do Corinthians?
“Primeiro saber como é o Corinthians, a grandeza do Corinthians, a grandeza da torcida e a qualidade da equipe, que há dois, três meses era a mais equilibrada do Brasil. A perspectiva, o projeto e também o histórico que já tinha passado em 2004 me fizeram abrir mão do Mundial. Dirigir o Corinthians é fascinante”.

Então pesou mais o fascínio do que o dinheiro dos árabes?
“O Al-Wahda é um grande clube, porém os Emirados Árabes estão na segunda linha do futebol e o Corinthians te traz uma perspectiva maior de crescimento profissional. O contexto todo do Corinthians é muito importante”.

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